Dois jogadores de costas junto à rede de uma arena de vôlei de praia ao fim da tarde

Erros de bloqueio no vôlei de praia amador e como ajustar

O bloqueio amador falha por três motivos que se repetem: o jogador sobe cedo demais, pula longe da rede ou bloqueia uma bola que o atacante nem ia alcançar. Quase sempre o resultado é o mesmo, a bola passa por cima das mãos e o parceiro fica sozinho no fundo da quadra.

Na pelada de sábado eu fui o rei do bloqueio errado durante meses. Com 1,75 m, subia em todo ataque achando que o esforço valia alguma coisa. Valia pouco. O que mudou o meu bloqueio foi parar e olhar cada lance: onde eu estava, quando saltei e o que meu parceiro fazia naquele segundo.

Abaixo estão os cinco erros que mais vejo na areia, cada um com o lance em que aparece e o ajuste que funcionou aqui.

Erro 1: subir cedo demais

O bloqueador vê o levantamento sair e já salta. Quando a bola chega ao atacante, ele está descendo. A mão passa de volta pela frente da bola sem tocar em nada.

Isso acontece porque o amador salta olhando para o levantador, e não para o atacante. A bola leva um tempo entre o levantamento e a pancada, e esse tempo é maior do que parece.

O ajuste é esperar. Acompanhe a bola até ela chegar perto da rede, olhe o ombro do atacante e só então flexione os joelhos. Se o seu salto é lento, comece o movimento um pouco antes, mas nunca na hora do levantamento. Um bom teste é pedir ao parceiro para gravar três ataques seus de lado, com o celular na areia, e conferir em que momento você sai do chão.

Erro 2: pular longe da rede

Quem salta a meio metro da rede perde o ângulo. As mãos ficam atrás da fita e o atacante vê um buraco enorme entre o bloqueio e a rede, justamente onde a bola passa.

Na areia o chão cede, e a tendência é recuar um passo antes do salto para ganhar impulso. Faça o contrário: chegue colado na rede, com os pés a uma largura de ombro dela, e suba reto.

Quando a gente ajustou isso na dupla, o primeiro efeito foi diminuir a quantidade de bolas que passavam entre a rede e a minha mão. O segundo veio depois: o atacante adversário passou a bater para fora de medo de tocar o bloqueio.

Erro 3: bloquear bola que o atacante não alcança

É o erro de quem tem energia demais. A levantadora do outro lado errou o ponto, a bola está longe da rede e o atacante vai tentar uma manchete defensiva. Mesmo assim o bloqueador sobe, cai na areia e chega atrasado na cobertura.

A regra prática é simples: se o atacante precisa correr para alcançar a bola ou vai bater de costas para a rede, não suba. Fique no chão, abra o campo de visão e prepare a defesa. Quem sobe sem necessidade não bloqueia nada e ainda dá ao adversário a escolha de bater onde quiser.

Erro 4: bloquear sem avisar o parceiro

Em dupla, cada um cobre metade da quadra. Quando um bloqueia e o outro não sabe, os dois defendem o mesmo canto, ou os dois deixam um canto vazio. O parceiro que vai para o fundo precisa saber se a linha está coberta pelo bloqueio ou se ela é dele.

O jeito mais barato de resolver é combinar o sinal antes do saque. Eu falei sobre isso no texto de sinais de mão para a dupla, e um único sinal já resolve boa parte: um dedo para bloquear a diagonal, dois dedos para bloquear a paralela, punho fechado para não bloquear. Dois dedos nas costas, e o parceiro sabe onde ficar.

Erro 5: ignorar a regra do toque do bloqueio

Muita dupla trata o bloqueio como lance fora da contagem. O toque na bola durante o bloqueio conta como um dos três toques da dupla, e isso muda o que o parceiro faz depois. Quem não sabe disso entra na defesa achando que ainda tem três toques e perde um ponto de graça.

A situação com a esposa na quadra foi exatamente essa. A bola raspou na minha mão, ela pensou que ainda tinha três toques e deixou a bola cair em vez de dar uma manchete segura. Há um texto só sobre o bloqueio contar como toque com os lances narrados um a um.

Quando recuar da rede em vez de bloquear

Bloquear não é obrigatório. Na dupla amadora, saber a hora de sair da rede rende mais ponto do que insistir. Vale recuar nestas situações:

  • o atacante adversário é bem mais alto do que você e bate sempre forte na mesma direção;
  • a bola do levantamento sai longe da rede e o atacante precisa de passada para chegar;
  • o vento carrega a bola para o fundo e o bloqueio fica curto;
  • o parceiro defende melhor a diagonal do que você e prefere a quadra livre.

Quando decidimos recuar, os dois ficam no fundo da quadra, e cada um cobre uma metade. O adversário bate, o defensor lê a bola e o jogo continua. É a mesma lógica que expliquei em posição e comunicação da dupla.

Cada erro ao lado do ajuste

Erro Lance em que aparece Ajuste
Subir cedo Levantamento alto e lento Olhar o ombro do atacante e saltar depois
Pular longe da rede Chegada da bola na rede Posicionar os pés colados à rede e subir reto
Bloquear bola que não chega Defesa ruim do outro lado Ficar no chão e preparar a defesa
Não avisar o parceiro Saque adversário Combinar sinal com um ou dois dedos
Ignorar o toque do bloqueio Bola que raspa na mão Contar o bloqueio como primeiro toque

Treino de bloqueio sem rede e sem bloqueador

Dá para treinar o tempo do salto sem ninguém do outro lado. Peça ao parceiro para segurar a bola na altura da fita e soltá-la numa batida simulada. Você sai do chão quando a mão dele começa o movimento e tenta tocar a bola ainda no ar. Repita dez vezes, anote quantas vezes você chegou no ponto certo e tente melhorar na semana seguinte.

Se o seu parceiro é mais alto, inverta os papéis. Quem bloqueia pior precisa treinar mais a leitura, e quem bloqueia melhor aprende a esperar o outro. Meu parceiro de pelada é meia cabeça mais alto do que eu e mesmo assim erra o tempo. Altura ajuda, mas só se o salto chega na hora. Já escrevi sobre isso no texto sobre ser bom no vôlei sendo baixo.

Perguntas frequentes

Vale a pena bloquear sendo baixo?

Vale, desde que o objetivo seja atrapalhar o ataque e não parar a bola. Mãos firmes na linha da bola e posição certa incomodam o atacante mesmo sem altura.

Quando recuar da rede em vez de bloquear?

Quando o atacante vai bater de longe, com pouca preparação, ou quando o vento carrega a bola para o fundo. Nesses lances, o bloqueio chega atrasado e o espaço de defesa fica vazio.

Como acertar o tempo do salto no bloqueio?

Olhe o ombro do atacante e salte quando ele começar o movimento do braço. Treine com o parceiro soltando a bola na altura da rede, para sentir o intervalo.

Quem decide se a dupla bloqueia ou não?

Os dois, antes do saque. Um sinal de um ou dois dedos nas costas é suficiente, e o parceiro do fundo se posiciona de acordo.

Na próxima pelada, escolha só um dos cinco erros e trabalhe nele por duas semanas. Eu comecei pelo salto cedo e só depois mexi no resto.