Dupla jogando vôlei de praia

Os 2 anos que joguei sem evoluir nada

No post anterior eu contei como comecei a jogar vôlei de praia, de forma totalmente informal, só por diversão, sem nenhuma cobrança. O que eu não disse é que essa fase durou bem mais do que um verão. Fiquei mais de dois anos jogando desse jeito, e nesse período praticamente não evoluí nada.

Isso não é modéstia nem exagero. É o fato mais honesto que eu posso contar pra quem está no início: dois anos inteiros de bola na areia e eu terminei esse período jogando quase do mesmo jeito que comecei.

Como era a rotina

Jogávamos aos sábados e às quartas-feiras. No começo, era sempre o mesmo quarteto, eu e mais três pessoas, sem hora marcada de verdade, sem combinação de treino, só o compromisso de aparecer. Com o tempo, o grupo de sábado cresceu bastante, chegou a reunir mais de 20 pessoas rotativas por mês. Virou uma rodinha grande, quase um point fixo, mas continuava sendo, no fundo, o mesmo tipo de jogo: gente se divertindo, sem estrutura nenhuma.

E olha, isso não é uma crítica ao formato. Foi ótimo pra criar hábito, pra gostar do esporte, pra conhecer gente. Só que criar hábito e evoluir tecnicamente são coisas bem diferentes, e eu só fui entender isso depois.

Por que ficar parado tanto tempo

Jogar por diversão, sem corrigir nada, sem repetir movimento de forma consciente, tem um efeito previsível: você conserta o que dá pra consertar sozinho, na prática, e trava exatamente no que exigiria alguém de fora observando e corrigindo. Eu não tinha ninguém nesse papel. A galera toda estava no mesmo nível, então ninguém corrigia ninguém, só jogávamos juntos.

Não tinha vergonha nenhuma nisso, muito pelo contrário: era divertido exatamente por não ter cobrança. Só que esse é o outro lado da moeda: sem cobrança nenhuma, sem também nenhuma estrutura de aprendizado, o nível tende a estacionar. Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

O que teria mudado antes, se eu soubesse

Eu não vou fingir aqui que existia uma solução óbvia que eu ignorei. Na época, eu genuinamente só queria jogar. Só bem mais pra frente que a vontade de melhorar de verdade apareceu, e é aí que a história muda de rumo (conto no próximo post).

Mas se tem uma coisa que eu diria pra quem está numa fase parecida com a minha de dois anos atrás: não tem problema nenhum em jogar só por diversão por quanto tempo você quiser. O problema é achar que, com o tempo, a repetição sozinha vai te levar a um nível melhor. Ela não vai. Repetição sem correção consolida o que você já sabe fazer, inclusive os erros.

O sinal que eu ignorei por muito tempo

Reparando em retrospecto, o sinal estava bem na minha frente: eu errava as mesmas coisas no mês 3 e no mês 20. A manchete que eu não controlava direito no começo continuava sem controle dois anos depois. Só que, como todo mundo ao redor também estava no mesmo nível, isso parecia normal, não tinha comparação que me mostrasse que dava pra estar em outro patamar.

O que eu sentia em quadra nessa fase

Vale descrever a sensação, porque ela é bem específica. Eu me sentia competente o suficiente pra participar do jogo, mandar a bola pro outro lado, sacar sem errar toda hora. Só que, contra qualquer dupla um pouco mais organizada, eu via a diferença na hora: não conseguia sustentar rally longo, errava decisão de posicionamento, ficava exposto em qualquer jogada mais rápida. Isso não me incomodava muito na época, porque a maior parte dos jogos era contra gente do mesmo grupo, no mesmo nível que eu.

O problema de ficar só nesse ambiente fechado é que ele não te dá parâmetro de comparação real. Achar que está bom porque ganha da própria rodinha é diferente de estar realmente bom. Foi precisando enfrentar gente de fora do grupo, tempos depois, que percebi o tamanho da diferença, e isso acelerou bastante minha decisão de buscar treino formal.

Como era o clima entre a galera nesses dois anos

Vale registrar também o lado social dessa fase, porque ele explica em parte por que levei tanto tempo pra sentir necessidade de mudar. O grupo de sábado virou uma das partes mais gostosas da minha semana, não só pelo esporte, mas pelas conversas, pelas amizades que foram se formando, pelo ritual de chegar, jogar, ficar depois conversando. Esse tipo de vínculo social é um motivo legítimo pra continuar jogando informal, e não estou aqui pra dizer que era errado priorizar isso.

O que eu diria, olhando pra trás, é que dava pra ter as duas coisas: o vínculo social da pelada e a evolução técnica do treino, sem abrir mão de nenhuma. Só que eu não sabia disso na época, porque nunca tinha experimentado o treino formal pra comparar.

Foi só quando finalmente decidi buscar uma aula de verdade que percebi o tamanho da diferença entre jogar bastante e treinar de forma estruturada. Essa é a história do próximo post.