No post anterior contei que eu e minha esposa, apesar de jogarmos juntos há um tempo, ainda não tínhamos conquistado uma medalha como dupla, cada um já tinha a sua, separadamente, mas não juntos. Esse post é sobre a vez em que chegamos mais perto disso.
Como começou o dia
Era um campeonato como outro qualquer. Ganhamos as três primeiras partidas seguidas. Eu estava tranquilo, sem aquela ansiedade que às vezes atrapalha o jogo, jogando solto, confiante. Tudo caminhando exatamente do jeito que a gente precisava pra finalmente conseguir aquela medalha que estava faltando.
O que deu errado
E então veio uma câimbra. No meio da sequência de vitórias, o corpo simplesmente não aguentou. Eu não consegui mais jogar direito depois disso, a câimbra tirou minha movimentação, minha força de ataque, minha capacidade de reagir rápido em quadra. Poderia ter sido a nossa chance. Não foi.
O momento exato em que percebi
Lembro do instante específico, no meio de um deslocamento lateral pra defender, senti a panturrilha travar de um jeito que eu já conhecia, mas nunca tinha sentido em competição. Tentei continuar jogando, tentei disfarçar, mas a partir dali cada movimento ficou mais lento, mais cauteloso, sempre com medo de piorar. Minha esposa percebeu na hora que algo mudou, não pela dor que eu não estava demonstrando muito, mas pela queda visível no meu rendimento de um ponto pro outro.
Por que estou contando isso
Não é uma história com final feliz, e é exatamente por isso que ela entra nessa série. O diário que estou escrevendo aqui não é sobre vitórias bonitinhas, é sobre o que realmente acontece quando você leva o esporte a sério: o corpo às vezes falha bem na hora que você mais precisa dele, mesmo com o jogo indo bem, mesmo com tudo parecendo estar no caminho certo.
Essa câimbra não foi falta de treino ou de técnica. Foi, principalmente, uma questão de hidratação, e isso é importante o bastante pra virar assunto por si só (vou falar sobre isso com mais detalhe no próximo post, sobre como evitar câimbra em dia de competição).
Como a gente reagiu logo depois da partida
Vale contar como foi o momento imediatamente depois de perder aquela partida decisiva. Minha esposa ficou visivelmente frustrada, mas não comigo, frustrada com a situação, com o timing horrível da câimbra bem naquele momento. Eu me senti mal por não conseguir sustentar o nível físico que a dupla precisava, mesmo sabendo racionalmente que não foi falta de esforço ou de vontade, foi um problema de preparo que eu simplesmente não tinha antecipado.
A gente conversou sobre isso ainda no mesmo dia, já mais calmos, e concordou em algo importante: em vez de tratar aquilo como um fracasso da dupla, tratamos como um dado novo, descobrimos uma vulnerabilidade real no nosso preparo que não tínhamos identificado antes. Isso mudou o tom da conversa, deixando de ser sobre por que isso aconteceu com a gente e passando a ser sobre o que precisávamos ajustar pro próximo campeonato.
O que fica dessa experiência
Duas coisas ficam pra mim depois dessa partida. A primeira é técnica: hidratação em dia de campeonato não é detalhe, é parte do preparo tanto quanto treinar o saque ou a manchete. A segunda é mais sobre mentalidade: a gente segue tentando. A medalha em dupla ainda não veio, mas essa partida mostrou que está dentro do nosso alcance, só precisamos acertar o que ainda falha, e dessa vez sei exatamente o que foi.
Se você compete ou pretende competir, guarda esse aprendizado: o dia do campeonato começa antes da primeira partida, na forma como você se hidrata e se prepara fisicamente ao longo de todo o dia, não só no aquecimento.
