Jogadores de vôlei de praia em quadra de areia

A partida que quase nos deu nossa primeira medalha juntos

No post anterior eu contei que eu e minha esposa, apesar de jogarmos juntos há um tempo, ainda não tínhamos conquistado uma medalha como dupla. Cada um já tinha a sua com outros parceiros, mas não juntos. Este post é sobre a vez em que chegamos mais perto.

A resposta curta sobre o que aprendemos: torneio amador se ganha também na gestão do dia inteiro, fora da quadra; a gente jogou bem até a terceira partida e não soube ajustar quando o jogo mudou. Abaixo eu conto o dia, o momento em que tudo virou e o que a gente mudou desde então.

Como começou o dia

Era um campeonato amador como outro qualquer, numa arena aqui de BH, na categoria mista. Ganhamos as três primeiras partidas seguidas. Eu estava tranquilo, sem aquele nervosismo que às vezes atrapalha, jogando solto e confiante. Ela estava sacando muito bem, e nossa recepção estava encaixando. Tudo caminhava do jeito que a gente precisava pra finalmente conseguir a medalha.

A partida em que tudo virou

A quarta partida, que valia vaga na final, foi já no fim da tarde. A gente tinha ficado quase duas horas esperando entre um jogo e outro, e entramos na quadra frios. A dupla adversária tinha um sacador forte, que sacava flutuante com o vento a favor no lado da arena onde o sol batia de frente pra nós.

Ganhamos o primeiro set apertado. No segundo, depois da virada de quadra, a recepção começou a falhar. Demorei a perceber que o problema era o lado da quadra. Quando percebi, já estava 15 a 9. No tie-break, chegamos a ficar na frente, mas perdemos por dois pontos.

O que deu errado, olhando com calma

O que aconteceu O que deveríamos ter feito
Entramos frios depois de duas horas parados Aquecer de novo, com bola, uns 15 minutos antes
Não vimos o adversário jogar antes Assistir pelo menos um set da dupla que enfrentaríamos
Demoramos pra ajustar a recepção contra o vento Mudar posição e quem recebia logo na virada de quadra
Usamos o tempo tarde demais Pedir tempo na primeira sequência ruim de três pontos
Ficamos tensos no tie-break Voltar às frases curtas de ajuste que a gente combina

Nenhum desses erros é técnico. A gente sabia fazer tudo. O que faltou foi organizar o dia e ler o jogo enquanto ele mudava.

Como a gente reagiu logo depois

Minha esposa ficou visivelmente frustrada, mas não comigo: com a situação. Eu fiquei chateado por ter demorado a enxergar o problema da recepção. A gente não falou nada do jogo no caminho de volta, como combinamos depois de outras derrotas.

No dia seguinte, sentamos com calma e fizemos uma coisa que virou hábito: em vez de perguntar “por que perdemos?”, perguntamos “o que a gente ajusta pro próximo?”. Isso mudou o tom da conversa. A derrota virou uma lista de tarefas.

Essa forma de conversar, e outros combinados de casal em quadra, estão no texto sobre jogar em dupla com quem você é casado.

O que mudamos desde então

  • Aquecimento antes de cada jogo: mesmo no meio do dia, com bola, perto da quadra do jogo;
  • Olhar o próximo adversário: pelo menos um set, anotando quem saca forte e pra onde ataca;
  • Plano pra cada lado da quadra: antes de começar, combinamos como receber contra o vento e contra o sol;
  • Tempo na hora certa: três pontos seguidos contra, a gente pede tempo, sem esperar;
  • Organização do dia: lanche, sombra e cadeira pra esperar entre as partidas.

Sobre como funciona a tabela e a espera entre jogos, escrevi no texto como funciona um campeonato amador. E sobre a contagem e a virada de quadra, no texto quantos pontos tem um set.

O que deu certo nas três primeiras partidas

Vale registrar também o que funcionou, porque a gente quer repetir. Nas três primeiras partidas, sacamos sempre no jogador que recebia pior, combinamos antes de cada set quem bloqueava, e falamos o tempo todo. A recepção estava encaixando porque o vento estava fraco no começo do dia, e a gente aproveitou pra atacar mais na diagonal. Foi um dia em que a dupla funcionou como dupla, e é isso que nos faz acreditar que a medalha vem.

Por que estou contando uma derrota

Este diário conta o que acontece quando a gente leva o esporte a sério no nível amador. Quase ninguém conta a partida que perdeu por dois pontos, mas é ela que ensina mais. Se eu só contasse as vitórias, você não ia ver o processo.

O que fica dessa partida

Duas coisas ficam pra mim. A primeira é prática: o dia do campeonato começa antes da primeira partida e vai até a última, e organizar a espera, o aquecimento e a leitura do adversário é parte do jogo. A segunda é sobre a dupla: a medalha ainda não veio, mas essa partida mostrou que está ao nosso alcance. E dessa vez a gente sabe exatamente o que ajustar.

Perguntas frequentes

Como se preparar entre as partidas de um torneio?

Fique perto da quadra, na sombra, aqueça de novo antes de cada jogo e assista pelo menos um set do próximo adversário.

Como jogar contra o vento no vôlei de praia?

Na recepção, fique um pouco mais à frente, porque a bola flutua e cai mais curta. No saque, prefira bola mais firme e baixa.

Quando pedir tempo?

Na primeira sequência ruim, de três pontos seguidos contra. Esperar demais deixa o adversário embalar.

Vale a pena jogar campeonato com o parceiro de vida?

Vale, desde que os dois combinem como lidar com derrota e cobrança, como a gente conta nesta série.

O próximo campeonato já está marcado, e a lista acima está colada na porta da geladeira aqui de casa.

No seu próximo torneio, escolha um item da lista do que mudamos e aplique desde o primeiro jogo. Pra nós, o aquecimento antes de cada partida foi o que mais fez diferença.