Dupla jogando vôlei de praia

Passada de ataque: como fazer o approach certo na areia

Por muito tempo, meu ataque saía sem força e sempre no mesmo lugar. Eu achava que era braço fraco. Na aula, o professor pediu pra eu atacar três vezes e não olhou meu braço: olhou meus pés. “Seu problema começa três passos antes da bola”, ele disse. Era a passada.

A resposta curta: a passada de ataque é a sequência de passos antes do salto, e ela decide de onde e com que impulso você vai bater na bola. Na areia, ela costuma ser mais curta do que na quadra. Neste texto eu explico a passada passo a passo, como ajustar ao tipo de areia e os erros que eu cometia.

Pra que serve a passada

A passada tem três funções:

  • Levar você até a bola: do lugar onde você recebeu até o ponto do ataque;
  • Transformar corrida em salto: a velocidade dos passos vira impulso pra cima;
  • Posicionar o corpo: deixar a bola na frente do ombro do braço que ataca.

Sem uma boa passada, você até ataca, mas com metade do salto e quase sem escolha de direção.

A passada passo a passo (pra quem ataca com a direita)

  1. Espere a bola sair da mão do levantador: sair cedo demais faz você chegar antes da bola;
  2. Primeiro passo, com a esquerda: curto, só pra ajustar a direção;
  3. Segundo passo, com a direita: mais longo e mais rápido, é ele que dá a velocidade;
  4. Fechamento, com a esquerda: o pé esquerdo encosta logo depois do direito, os dois quase juntos, levemente virados pra rede;
  5. Braços pra trás e depois pra cima: no último passo, os dois braços vão pra trás e sobem juntos com o salto.

Pra quem é canhoto, a ordem dos pés é a inversa. No começo, eu falava baixinho “esquerda, direita-esquerda” pra decorar o ritmo.

Como ajustar à areia

A areia muda muito a passada. O que eu faço hoje:

Situação Ajuste
Areia funda Passos mais curtos e um a menos, foco no último passo firme
Areia batida Passada completa, mais velocidade no segundo passo
Vento contra Esperar um pouco mais antes de sair, a bola cai mais perto
Vento a favor Sair um pouco antes, a bola vai mais longe
Levantamento ruim Passada curta e ataque mais colocado

A diferença entre areias eu explico melhor no texto areia funda x areia batida.

Os erros que eu cometia

  • Sair cedo demais: chegava embaixo da bola e tinha que esperar parado, perdendo todo o impulso;
  • Passada lenta no fim: o último passo era o mais devagar, quando deveria ser o mais rápido;
  • Pés separados no salto: saltava com um pé muito na frente do outro e perdia equilíbrio;
  • Braços parados: sem levar os braços pra trás, o salto sai bem mais baixo;
  • Bola atrás da cabeça: passava do ponto e atacava com o braço dobrado pra trás.

O último erro tem a ver com o encaixe, o momento exato de bater na bola, que é o assunto do texto encaixe de ataque.

Exercícios que me ajudaram

  1. Passada sem bola: dez repetições seguidas, só com os pés e os braços, contando o ritmo;
  2. Passada com autolançamento: jogar a bola pra cima com as duas mãos, fazer a passada e atacar por cima da rede;
  3. Marcas na areia: desenhar com o pé onde cada passo deve cair, e tentar acertar as marcas;
  4. Passada com levantamento: com a dupla levantando, variar o ponto de saída pra se acostumar com bolas diferentes.

Os dois primeiros dá pra fazer sozinho. Montei uma rotina completa no texto sobre treinar sozinho.

Passada curta: quando usar

Nem toda bola dá tempo de fazer a passada completa. Em levantamento rápido ou ruim, eu uso uma passada de dois passos, só o “direita-esquerda” final. O salto sai mais baixo, mas o ataque continua possível. Em vez de forçar, uso a pingada ou um ataque de ângulo. Saber encurtar a passada é tão importante quanto saber fazer a completa.

Pra quem é baixo, como eu, com 1,75 m, a passada bem feita vale ainda mais: aproveitar todo o salto que você tem faz diferença. Contei como lido com a altura no texto dá pra ser bom no vôlei sendo baixo?.

Passada saindo da recepção

Na areia, quem ataca quase sempre acabou de receber. Isso muda a passada: você não sai de um ponto fixo, como na quadra, mas de onde a recepção te deixou. O que funciona pra mim é, logo depois de receber, recuar dois ou três passos em diagonal, de costas pra rede, abrindo espaço pra passada. Se eu fico parado onde recebi, a passada sai curta e espremida.

Esse recuo depois da recepção foi o ajuste que mais melhorou meu ataque. Ele também depende da comunicação com a dupla: quem levanta precisa saber que eu vou recuar e esperar a bola um pouco mais longe da rede.

Quanto tempo leva pra encaixar

A passada é um movimento que precisa virar automático. No meu caso, foram umas três semanas de exercício sem bola até eu parar de pensar nos pés. Depois disso, mais um mês pra ela funcionar em jogo, com a bola vindo de levantamentos diferentes. O sinal de que encaixou é simples: você deixa de pensar na passada e passa a pensar só pra onde vai atacar.

Perguntas frequentes

Quantos passos tem a passada de ataque?

Normalmente três ou quatro na quadra. Na areia, muita gente usa três, ou até dois em areia funda e bola rápida.

Qual pé começa a passada?

Pra quem ataca com a direita, a passada termina com direita-esquerda. O primeiro passo costuma ser com a esquerda.

Por que meu salto sai baixo no ataque?

Geralmente por sair cedo demais, fazer o último passo lento ou não usar os braços no impulso.

Dá pra treinar passada sem quadra?

Dá. Qualquer espaço com areia ou grama serve pra treinar o ritmo dos pés e dos braços sem bola.

No próximo treino, faça dez passadas sem bola antes de começar a atacar. Só esse aquecimento já deixa o ritmo dos pés mais natural quando a bola chega.