Bola de vôlei de praia

O dia que resolvi fazer aula de vôlei

Depois de mais de dois anos jogando sem evoluir nada, como contei no post anterior, cheguei num ponto em que continuar do mesmo jeito não fazia mais sentido. Foi aí que decidi procurar uma aula de vôlei de verdade, a primeira coisa estruturada que fiz desde que comecei no esporte.

A resposta curta: a aula não me ensinou a jogar; ela me mostrou o que eu fazia errado e me deu um jeito de treinar a correção. Com cerca de um mês, a diferença já aparecia em jogo. Neste texto eu conto o que me fez procurar treino, como escolhi onde treinar, como foi a primeira aula e o que mudou.

O que me fez procurar treino

A motivação foi simples de descrever, mesmo levando tempo pra amadurecer: eu queria melhorar de verdade. Não bastava mais jogar por jogar. Eu queria repetir o movimento de forma consciente e entender a técnica por trás do que fazia.

Dois episódios pesaram. O primeiro foi perder feio pra uma dupla de fora do nosso grupo, num sábado em que eles apareceram na arena. O segundo foi ver minha esposa, que vinha de anos de quadra, corrigindo detalhes da minha manchete que eu nunca tinha percebido. Ficou claro que faltava alguém de fora olhando pro meu movimento.

A diferença entre jogar e treinar

Esse é o ponto central deste post: jogar e treinar não são versões diferentes da mesma coisa. São atividades com objetivos diferentes.

Pelada Treino
Objetivo Ganhar o ponto Fazer o movimento certo
Erro Algo a evitar Parte do processo
Repetição Aleatória, conforme o jogo Focada num fundamento
Correção Quase nenhuma Constante

Eu precisei de mais de dois anos pra entender que essas duas coisas não se substituem, se somam.

Como escolhi onde treinar

Não pesquisei muito. Procurei uma escolinha perto de casa, com horário compatível com a minha rotina, e comecei. Não escolhi por currículo de professor nem por metodologia, foi uma escolha prática.

Olhando pra trás, essa simplicidade ajudou. Se eu tivesse ficado comparando opções, teria adiado ainda mais uma decisão que já estava atrasada em uns dois anos. Se fosse escolher hoje, olharia três coisas:

  • se a turma é separada por nível;
  • quantos alunos tem por professor;
  • se dá pra fazer uma aula experimental antes de fechar;
  • se o horário cabe na rotina por pelo menos três meses, porque o resultado vem com constância.

Como foi a primeira aula

Foi desconfortável de um jeito bom. Fiquei repetindo o mesmo movimento de manchete várias vezes, sem nenhuma bola indo pro outro lado da rede, só treinando postura. Na pelada, isso seria tempo perdido. Ali, era exatamente o ponto.

Também foi a primeira vez que alguém me explicou por que um movimento dava certo ou errado. Antes, eu só reproduzia o que via. Os erros de manchete que o professor apontou nesse dia estão no texto manchete: o que eu errei por meses.

O que mudou depois de um mês

O exemplo mais concreto foi o levantamento de toque. Antes da aula, eu cometia dois toques quase toda vez que tentava levantar com a mão. Depois de treinar esse movimento com alguém corrigindo, passei a errar raramente. E não levou anos: com cerca de um mês, a diferença já aparecia nos jogos de sábado.

A regra do toque na areia é mais rigorosa do que muita gente imagina, como eu explico no texto como funciona o levantamento no vôlei de praia.

Outra mudança foi no jeito de assistir aos jogos. Passei a reparar em detalhe de execução dos outros, e não só no placar. Isso me ajudou a entender o que eu precisava treinar.

Como encaixei o treino na rotina

Uma das desculpas que eu usava pra não fazer aula era falta de tempo. Na prática, encaixar foi mais simples do que eu imaginava. A escolinha tinha turma no começo da noite, duas vezes por semana, e eu troquei uma das peladas de quarta pela aula. O sábado continuou igual.

Ficou assim:

  • Terça e quinta à noite: aula, com foco num fundamento por semana;
  • Sábado de manhã: a pelada de sempre, agora usada pra testar o que eu treinava;
  • Em casa, alguns minutos: manchete na parede da garagem quando dava tempo.

Esse último item eu detalhei no texto sobre treinar vôlei de praia sozinho. Ele ajudou a fixar o que eu via na aula entre uma semana e outra.

O que eu diria pra mim mesmo dois anos antes

  • Procurar aula não é admitir que você é ruim: é reconhecer que jogar sozinho tem limite. Eu via a decisão como uma confissão de fraqueza, quando era o oposto;
  • Não existe nível certo pra começar a treinar: eu já tinha dois anos de areia, e isso só significou que eu tinha muito hábito errado pra desfazer;
  • Não precisa largar a pelada: eu continuei jogando aos sábados, e a pelada virou o lugar de testar o que aprendia na aula.

Perguntas frequentes

Vale a pena fazer aula de vôlei de praia sendo adulto?

Vale. Eu comecei a treinar com mais de dois anos de areia, já adulto, e a diferença apareceu rápido.

Quanto tempo leva pra sentir diferença com aula?

No meu caso, cerca de um mês de treino já mostrou mudança em jogo, principalmente no levantamento.

Preciso saber jogar antes de fazer aula?

Não. Muitas escolinhas têm turma de iniciante. Quanto antes começar, menos hábito errado você vai ter pra desfazer.

Aula substitui a pelada?

Não. As duas se completam: a aula corrige, e a pelada é onde você coloca a correção em prática.

Até hoje eu faço uma aula de vez em quando, mesmo jogando campeonato. Sempre aparece um detalhe novo pra corrigir, e é isso que mantém o jogo andando.

No próximo post da série eu conto sobre algo que só passou a fazer sentido depois de treinar sério: a questão da altura. Se você está pensando em fazer aula, marque uma experimental nesta semana. Foi o passo que eu adiei por dois anos e que mais mudou meu jogo.